Proposta de André Lara Resende para reduzir juros gera debate sobre política econômica
Idealizador do Plano Real propõe reduzir a Selic para 7,5% ao ano e questiona o foco atual no ajuste fiscal como solução para a dívida pública.

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, voltou ao centro das discussões nacionais ao defender uma mudança drástica na condução da política monetária brasileira. Em artigo recente, ele argumenta que o principal entrave fiscal do país é o custo dos juros da dívida pública, e não os gastos primários, como defende a visão convencional.
A proposta de Lara Resende sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar metas de médio prazo. Na prática, o economista defende uma redução gradual da taxa Selic, atualmente em 13,75%, para o patamar de 7,5% em um período de 12 meses. Para mitigar possíveis efeitos cambiais dessa transição, ele sugere o uso estratégico das reservas internacionais do país.
O posicionamento do economista ganhou repercussão no cenário político e dividiu opiniões. Enquanto figuras do PT, como a deputada federal Gleisi Hoffmann, elogiaram a reflexão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afastou a possibilidade de adoção de qualquer medida de tabelamento de juros pelo governo.
A trajetória de Lara Resende é marcada por altos e baixos na gestão pública. Além de ser um dos pais do Plano Real, seu nome esteve envolvido em episódios polêmicos, como a participação técnica na formulação do confisco da poupança durante o governo Collor e a presidência do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, período em que enfrentou acusações de improbidade administrativa, das quais foi posteriormente absolvido.
As críticas atuais ao que ele chama de “dogmatismo fiscal” não são recentes. Há quase uma década, o economista questiona a eficácia de taxas de juros elevadas como ferramenta única de controle inflacionário. Em obras e artigos, ele defende que a austeridade excessiva em momentos de ociosidade econômica pode, paradoxalmente, agravar a recessão e elevar o peso da dívida em relação ao PIB.


