Direita busca comando do Senado para frear atuação do STF
Bancada conservadora vê na presidência da Casa a única forma de limitar o poder do Supremo e impedir a reeleição de Alcolumbre.

A articulação pelo comando do Senado tornou-se o principal objetivo da direita brasileira para o próximo ciclo político. O grupo defende que a ocupação da presidência da Casa é indispensável para que a bancada conservadora consiga transformar seu peso numérico em ações efetivas, especialmente no que diz respeito ao controle e fiscalização do Supremo Tribunal Federal (STF).
O foco da oposição é impedir a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), visto como um articulador que protege a Corte de possíveis confrontos. O presidente do Senado detém o poder de decidir quais projetos avançam, sendo o responsável por pautar ou engavetar propostas que visam limitar os poderes dos ministros ou pedidos de impeachment.
A influência de Alcolumbre é apontada como um obstáculo central. O senador, que já presidiu a Casa entre 2019 e 2021, mantém um controle consolidado sobre a agenda legislativa e a tramitação de indicações. Para garantir sua continuidade, o parlamentar tem articulado negociações com diferentes grupos, incluindo a promessa de tratar temas caros à direita, como a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Especialistas em ciência política e direito destacam que o Senado é atualmente o único órgão com capacidade institucional para promover um reequilíbrio entre os Poderes. Segundo o cientista político Bruno Coletto, “o Senado, dado o atual cenário, parece ser o último órgão institucional com poder suficiente para trazer um equilíbrio à separação de Poderes”.
Por outro lado, o doutor em Ciência Política Ricardo de João Braga aponta que o Senado tem falhado em seu papel fiscalizador. Para ele, a politização das indicações ao STF e a postura de senadores que evitam confrontos com a Corte — por temerem ser julgados por ela futuramente — enfraqueceram o escrutínio necessário. “A corrupção exige escrutínio legal, com o devido processo e punição se constatados erros. Há desafios enormes”, avalia Braga.
Para a direita, a permanência de Alcolumbre significaria manter o status quo de uma gestão que evita o embate direto com o Judiciário. A disputa, portanto, deixa de ser apenas por cadeiras legislativas e se concentra no poder de condução da pauta, fator determinante para definir o futuro da relação entre o Congresso e o STF.


