Mercado de milho monitora câmbio, clima e juros para definir rumo das cotações
Análise aponta que avanço da colheita nos EUA e demanda interna influenciam o valor do grão, enquanto juros elevados limitam a formação de estoques no Brasil.

O mercado de milho apresenta movimentos distintos entre as bolsas internacionais e o cenário doméstico. Enquanto o contrato de dezembro em Chicago encerrou a última semana com recuo de 1,97%, o vencimento de novembro na B3 fechou em alta de 2,58%, cotado a R$ 67,22 por saca.
O avanço da colheita nos Estados Unidos é o principal fator de pressão baixista para o mercado externo. Segundo a plataforma Grainsights, da Grão Direto, a entrada de grande oferta e desafios logísticos podem forçar produtores norte-americanos a venderem rapidamente, com os preços podendo alcançar patamares próximos de US$ 4,40 por bushel.
No Brasil, a concorrência com os EUA e a postura agressiva da Argentina impactam as exportações. A estimativa para os embarques brasileiros de outubro foi revisada para 6,10 milhões de toneladas. Em contrapartida, a demanda interna, sustentada pelo setor de proteína animal e pela expansão das usinas de etanol de milho em estados como Mato Grosso e Goiás, ajuda a dar suporte aos preços regionais.
O clima também é um ponto de atenção. O ritmo de plantio da soja no Centro-Oeste dita a janela da safrinha. Eventuais atrasos podem levar o cultivo para períodos próximos ao outono, elevando o risco de geadas e falta de chuvas, o que pode encarecer os contratos futuros devido ao prêmio de risco.
Por fim, o cenário macroeconômico permanece como variável central. Embora haja demanda, os juros elevados no Brasil encarecem o crédito, dificultando a formação de estoques pelas indústrias. A análise destaca que o produtor deve monitorar a combinação entre o câmbio, as cotações em Chicago e os prêmios de exportação para proteger suas margens de lucro.


