Edson Fachin retém inquérito sobre Banco Master no STF
Presidente da Corte mantém processo sob sua relatoria para gerenciar crises internas e evitar que investigações atinjam outros ministros.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu manter sob sua responsabilidade direta as investigações envolvendo o banco Master. A medida, tomada em um contexto de tensões internas, visa preservar a imagem da Corte diante de menções a ministros em relatórios da Polícia Federal.
Enquanto reteve o caso do banco, Fachin devolveu ao ministro André Mendonça o inquérito que apura supostas fraudes em descontos do INSS. Segundo avaliações de juristas, a decisão de segurar os autos do caso Master funciona como um freio estratégico, impedindo que o relator original avance sobre procedimentos que poderiam envolver outros membros do tribunal.
O foco da retenção está na sensibilidade do caso, que cita relações entre o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, e magistrados da cúpula do Judiciário, incluindo Alexandre de Moraes. O conflito entre Moraes e Mendonça escalou após a identificação de mensagens trocadas com autoridades, levando a acusações mútuas de abuso de autoridade e direcionamento de investigações.
Fachin deve manter o processo sob sua alçada por até 90 dias, prazo que permite ao plenário definir como tratar as citações a integrantes da Corte. A expectativa é que o ambiente institucional passe por um processo de arrefecimento enquanto aguarda-se a conclusão de relatórios da Polícia Federal e a resolução de pedidos de vista pendentes.
Apesar da devolução do caso do INSS, o destino da relatoria definitiva do inquérito do banco Master permanece incerto. Existe a possibilidade de Fachin redistribuir o processo a um novo relator, dependendo do equilíbrio de forças e das estratégias adotadas para minimizar desgastes à imagem do tribunal.


