Edir Macedo critica ordem do lema “Deus, Pátria e Família”, priorizando a família
O líder da Igreja Universal do Reino de Deus expressou discordância com a sequência tradicional do lema, defendendo a primazia de Deus, seguida pela família e, depois, pelo Estado.

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, manifestou sua oposição ao lema “Deus, Pátria e Família”, frequentemente associado à direita conservadora. Segundo o líder religioso, a expressão inverte a ordem correta de prioridades ao colocar a pátria antes da família.
Em um culto realizado em 25 de outubro, domingo de segundo turno das eleições presidenciais, Macedo declarou: “Eu não aprovo aquela teoria ‘Deus, pátria e família’”. Ele explicou sua visão, afirmando: “Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser”. A fala, apesar de antiga, repercutiu nas redes sociais recentemente.
Para justificar sua posição, o bispo utilizou exemplos bíblicos como Abraão e Isaac, argumentando que a organização social deve começar pela relação com Deus e pela estrutura familiar. Ele questionou os fiéis: “Se não houver família, vai haver pátria?”, enfatizando que a existência da nação depende da família, que por sua vez tem origem divina.
Essa manifestação de Macedo se destaca por contrastar com a histórica associação do lema ao campo conservador ligado à família Bolsonaro. O posicionamento também ocorre em um cenário de aparente distanciamento da Universal da disputa presidencial de 2026, diferentemente de 2022, quando a igreja apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
Na campanha eleitoral deste ano, a Igreja Universal optou por não manifestar apoio público a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL). Em vez disso, a instituição concentrou seus esforços na eleição de representantes alinhados aos seus interesses e pautas no Legislativo, buscando uma “proteção parlamentar” contra projetos como o de misoginia e a tributação de templos religiosos.
Apesar da estratégia, a Universal registrou perdas. Na Câmara dos Deputados, seis dos doze parlamentares ligados à igreja que buscavam a reeleição pelo Republicanos não obtiveram sucesso. No Rio de Janeiro, a disputa pelo Senado, que tradicionalmente elegia um nome evangélico quando havia duas vagas, viu a derrota de Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT) para Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL e próximos à família Bolsonaro.


