Ativistas espalham cartazes de ‘procurado’ com foto de Flávio Bolsonaro nos EUA
Peças com acusações contra o senador circulam nos Estados Unidos, mas ele não é considerado foragido pela Justiça brasileira.

Ativistas de esquerda estão distribuindo e divulgando cartazes informais nos Estados Unidos com a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a palavra “procurado”. O material lista uma série de acusações contra o parlamentar, incluindo tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Apesar do teor dos cartazes, Flávio Bolsonaro não é considerado foragido, não possui condenação por nenhum dos crimes mencionados e não consta como procurado pela Justiça. As peças foram criadas por ativistas e não representam uma ordem judicial ou comunicado oficial de autoridades policiais.
O senador é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas. O outro apura o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio deixou o Brasil dois dias após a eleição presidencial, em 25 de outubro. Ele viajou com a esposa e filhas, motivado por temores de possíveis decisões do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal havia solicitado a apreensão de seu passaporte e a proibição de sua saída do país minutos depois do anúncio do resultado do segundo turno pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora tenha havido autorização para apreender seus documentos e impedir sua saída do Brasil, o senador não é classificado como foragido. Essa condição depende da existência e cumprimento de uma ordem judicial específica, além da situação processual da pessoa. Assim, os cartazes devem ser vistos como manifestações políticas de ativistas.
Os cartazes também sugerem o envolvimento do presidente Donald Trump na saída do senador do Brasil e em uma suposta tentativa de interferência nas eleições brasileiras. Contudo, o governo norte-americano negou qualquer participação direta na saída de Flávio.
No último sábado (31), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo não teve parte na saída de Flávio do território brasileiro. Trump, por sua vez, autorizou a entrada do parlamentar nos EUA e declarou que ele poderia permanecer no país pelo tempo que desejasse.
Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos. No domingo (1º), ele participou de um culto evangélico na igreja Celeiro, em Fort Lauderdale, na Flórida, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e da cunhada, Heloísa Bolsonaro.


