Plantio de soja em ritmo acelerado favorece janela do milho em Mato Grosso
Projeções do Imea indicam que conclusão da semeadura da soja dentro do prazo ideal deve beneficiar o cronograma da próxima safra de milho no estado.

O avanço célere da semeadura da soja em Mato Grosso, que já atingiu cerca de 90% da área, traz perspectivas positivas para o calendário da safra de milho 2026/27. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a expectativa de encerrar o plantio da oleaginosa ainda em novembro permite aos produtores maior segurança para semear o cereal dentro da janela ideal no próximo ano.
A área destinada ao milho na próxima temporada está estimada em 7,48 milhões de hectares, um leve incremento de 0,59% frente ao ciclo anterior. Gabriel Souza, integrante da equipe de milho do Imea, explica que a agilidade na implantação da soja é um ponto estratégico para o planejamento da segunda safra, embora ressalte que o sucesso da cultura permanece condicionado ao clima.
“Embora o avanço da semeadura da soja favoreça a implantação do milho dentro da janela ideal, ainda é necessário acompanhar o comportamento das chuvas e a disponibilidade hídrica ao longo do ciclo, principalmente diante das possíveis influências do El Niño”, pontua Gabriel Souza. Previsões do CPTEC/Inpe apontam chuvas favoráveis até fevereiro, mas o excesso de precipitação ou a má distribuição hídrica em fases críticas ainda são fatores de risco.
Diante desse cenário de incertezas, o Imea projeta uma produtividade de 119,64 sacas por hectare, o que representa uma queda de 8,05% em comparação à temporada passada. A produção total está estimada em 53,68 milhões de toneladas, um recuo de 7,50% em relação aos volumes recordes observados no ciclo atual.
O mercado interno, por outro lado, mantém uma trajetória de aquecimento. A demanda doméstica deve crescer 16,20%, atingindo 27,09 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho e pelo aumento no uso do cereal para nutrição animal. Em contrapartida, as exportações devem sofrer uma redução de 27,39%, refletindo a concorrência internacional e a priorização do mercado interno.


