A defesa pública feita pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PL) em favor do produtor rural Antônio Galvan reposicionou o debate sobre a segunda vaga da direita ao Senado em Mato Grosso e reacendeu as articulações no campo bolsonarista.
Cattani deixou claro que, em sua avaliação, Galvan é o nome ideal para herdar o chamado “segundo voto da direita” na disputa pelas duas cadeiras que estarão em aberto. Embora reconheça que não tem poder de decisão dentro do partido, já que não integra a executiva estadual, o parlamentar afirmou que tem feito gestões junto à direção do PL para que haja um “chamamento” formal ao produtor rural.
A estratégia defendida por Cattani passa pela consolidação do deputado federal José Medeiros (PL) como primeiro nome do grupo e pela construção de uma dobradinha com Galvan, evitando dispersão de votos entre eleitores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o deputado estadual, Medeiros já teria credenciais consolidadas, enquanto Galvan agregaria força ao projeto majoritário da direita.
O movimento ocorre em meio à turbulência interna no Democracia Cristã (DC). A direção nacional da legenda dissolveu o diretório regional em Mato Grosso, então comandado por aliados de Galvan, após divergências envolvendo o apoio presidencial. O partido exige alinhamento ao projeto nacional encabeçado por Aldo Rebelo, enquanto Galvan mantém fidelidade ao grupo bolsonarista, incluindo o senador Flávio Bolsonaro.
A intervenção abriu uma crise e levou Galvan a anunciar sua saída do DC, classificando a decisão como um “tiro no pé”. Ele afirma manter intacta a pré-candidatura ao Senado e já negocia com outras siglas, entre elas o PRD. O produtor rural sustenta que seu projeto ganhou ainda mais visibilidade após o embate e reforça que é o único nome que se apresenta como “bolsonarista raiz” na disputa.
Nesse contexto, a defesa articulada por Cattani funciona como gesto político estratégico: além de tentar garantir unidade no campo conservador, sinaliza ao eleitorado que há um esforço para organizar o segundo voto e ampliar a bancada alinhada a Bolsonaro no Senado. A movimentação também pressiona o PL a abrir espaço formal para Galvan, seja por aliança ou eventual filiação.
Com o tabuleiro ainda em formação, a posição pública de Cattani consolida Galvan como peça central na disputa e evidencia que a corrida ao Senado em Mato Grosso deve ser marcada por rearranjos partidários, fidelidade ideológica e forte influência do bolsonarismo nas decisões locais.