O mercado brasileiro de pescado entra em ritmo acelerado na Quaresma, período tradicionalmente marcado pela redução do consumo de carne vermelha. Isso resulta em um aumento médio de 56% na procura por peixes e frutos do mar em todas as regiões do País. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), responsável por mais de 70% da distribuição nacional, confirma a Quaresma como o principal momento de vendas, com pico nas semanas que antecedem a Páscoa.
Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a maior rede atacadista de alimentos da América do Sul, o volume comercializado na Quaresma demonstrou forte recuperação após dois anos de retração pós-pandemia. Em 2022, atingiu 10,27 mil toneladas, o maior patamar recente. Em 2025, foram somadas 9,22 mil toneladas entre março e abril.
Dados da Ceagesp revelam que o mês da Semana Santa registra uma média de 4,7 mil toneladas de pescado comercializadas. Nos últimos três anos, essa média subiu para 5,1 mil toneladas, um aumento de 8%. Em comparação com os demais meses do ano, cuja média é de 3,25 mil toneladas, o volume no mês da Páscoa é 57% superior.
A expectativa da estatal é que a Quaresma de 2026 iguale ou supere o desempenho de 2025, caso o ritmo atual de abastecimento seja mantido.
Espécies e Consumo Regional
A tilápia lidera o ranking nacional de consumo, devido ao seu sabor suave, alto teor de proteína, baixo teor de gordura e ampla oferta. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais da espécie, o que contribui para preços estáveis e constante presença no mercado.
Além da tilápia, predominante na piscicultura de água doce em regiões como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, outras espécies se destacam. O tambaqui é mais consumido na Região Norte, enquanto o camarão vannamei tem sua produção concentrada no Nordeste.
Na pesca extrativa, a sardinha lidera em volume, especialmente no Sudeste e no Sul. Entre os peixes importados, panga, merluza e salmão são os mais consumidos, com maior penetração em grandes centros urbanos. O salmão, em particular, mantém demanda consistente em capitais com forte culinária oriental.
Do ponto de vista logístico, a maior parte do pescado comercializado no Brasil é vendida congelada. Em um território continental, a distribuição de peixe fresco se concentra no litoral e nas grandes metrópoles, enquanto o congelamento amplia o alcance do produto e reduz perdas, especialmente para o interior do Norte e Centro-Oeste.
Variações de Preço e Fatores de Influência
O aumento da demanda na Quaresma nem sempre implica elevação generalizada de preços. Parte das espécies é estocada previamente em períodos de defeso, quando a pesca é proibida para preservação, ajudando a equilibrar a oferta.
Atualmente, o defeso do camarão está em vigor em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Maranhão. No Amapá, Pará e Piauí, a restrição foi encerrada em meados de fevereiro.
Na Ceagesp, as maiores variações de preço ao consumidor são geralmente observadas em três espécies: corvina (alta entre 19% e 23%), pescada-branca (17% a 32%) e pescada-goete (13% a 24%). Em contraste, a cavalinha registrou queda de preços em 2024 e 2025, devido ao excesso de oferta.
A importação é outro fator relevante, correspondendo a cerca de 28% do pescado consumido no Brasil, com destaque para o salmão. Nesse caso, o preço interno é influenciado pelo planejamento produtivo em países exportadores, como o Chile, e pela taxa de câmbio, com a valorização do dólar pressionando o mercado doméstico.
Evolução do Padrão de Consumo
Especialistas notam uma transição no comportamento do consumidor. Embora a Quaresma ainda concentre o maior volume de vendas, a associação do pescado à alimentação saudável e a diversificação de cortes e produtos prontos para preparo rápido têm contribuído para tornar o consumo mais regular ao longo do ano.
Apesar dessa mudança gradual, o movimento em peixarias e entrepostos atacadistas nas semanas que antecedem a Páscoa confirma a força de uma tradição que, além do aspecto religioso, impulsiona uma cadeia produtiva estratégica para o abastecimento alimentar do País.
<i>Este conteúdo foi adaptado pela nossa redação a partir de informações originais de Pensar Agro. Imagens: Reprodução / Créditos originais mantidos na fonte.</i>
Fonte: https://oatual.com.br