No bairro Carrapicho, a paciência acabou e a água tomou conta. Após as últimas chuvas, o cenário virou de caos: casas invadidas por enxurradas, ruas transformadas em verdadeiros rios de lama e moradores ilhados dentro da própria comunidade. Além dos prejuízos materiais, cresce também o medo de doenças como leptospirose e dengue, já que a água suja se mistura ao lixo e esgoto. Crianças e idosos são os mais vulneráveis nesse cenário preocupante.
“Entrou água em tudo”, relatam moradores, que descrevem móveis perdidos, alimentos descartados e noites em claro tentando salvar o que restava. O sentimento é de abandono e revolta. Segundo a comunidade, os pedidos de socorro foram feitos à Prefeitura de Várzea Grande, comandada pela prefeita Flávia Moretti, mas, até agora, nenhuma máquina apareceu e nenhuma resposta concreta foi apresentada.
Diante da falta de solução, a própria população decidiu agir. Organizaram uma vaquinha e, com o dinheiro arrecadado entre vizinhos, contrataram uma retroescavadeira particular para mexer nos barrancos e tentar conter a água. A medida trouxe um alívio momentâneo, mas está longe de resolver o problema estrutural que se repete a cada temporal.
Agora, o apelo ganha novo endereço: o senador da república Jayme Campos (União Brasil). “A prefeitura não ajudou, então recorremos a ele pra cobrar uma solução definitiva”, afirmam os moradores, que pedem obras de drenagem e infraestrutura para evitar que o bairro continue afundando a cada chuva.
As imagens registradas na região mostram o tamanho do drama: lixo acumulado, água barrenta dentro das residências e vias completamente intransitáveis. No Carrapicho, a comunidade já fez sua parte. Agora, espera que o poder público faça a dele.